Estudo do MIT revela como a IA está moldando o cérebro humano

Pesquisa do MIT aponta que escrever com apoio de IA reduz conectividade e esforço cerebral em comparação ao trabalho sem ferramentas digitais, com implicações para educação, produtividade e saúde cognitiva.

Estudo do MIT revela como a IA está moldando o cérebro humano

Experimentos do MIT indicam queda de atividade cerebral quando tarefas de escrita são feitas com apoio de IA

Um estudo conduzido no MIT aponta que o uso de assistentes baseados em inteligência artificial durante tarefas de escrita altera o esforço mental e a comunicação entre regiões do cérebro. Em testes controlados, participantes que redigiram textos com auxílio de modelos de linguagem exibiram menor atividade e conectividade neural do que aqueles que escreveram sem ferramentas digitais.

Contexto: onde, quando e quem

A pesquisa, realizada no MIT Media Lab (Cambridge, EUA) e divulgada como preprint em 10 de junho de 2025, voltou ao centro do debate em 18 de janeiro de 2026. O trabalho, liderado pela pesquisadora Nataliya Kosmyna, acompanhou 54 adultos jovens de instituições acadêmicas da região de Boston. Os voluntários escreveram ensaios em três condições: sem ferramentas, com motor de busca e com um sistema avançado de IA generativa. Durante a atividade, foram usados sensores de EEG para estimar a comunicação entre áreas cerebrais (métricas de conectividade funcional).

O que o estudo mediu e o que encontrou

Os resultados mostraram um padrão consistente: o grupo que utilizou IA apresentou as redes cerebrais mais fracas e menos distribuídas; o grupo que usou motor de busca ficou em nível intermediário; e o grupo “cérebro‑apenas” manteve a conectividade mais forte. Além disso, os textos gerados com IA tenderam a maior homogeneidade de estilo e os usuários relataram pior lembrança do conteúdo produzido. Em uma etapa adicional, alguns participantes (n=18) mudaram de condição: quem começou sem IA e passou a usá‑la manteve alta atividade cerebral; já quem iniciou com IA e depois escreveu sem ajuda continuou em patamar mais baixo, sugerindo que o “timing” do contato com a tecnologia pode influenciar o engajamento cognitivo.

Relevância e evolução do tema

Por se tratar de preprint, os achados ainda aguardam validação por revisão por pares e replicação com amostras maiores e outras tarefas além de redação. Em paralelo, linhas de pesquisa complementares vêm testando abordagens neuroadaptativas — por exemplo, tutores que ajustam a complexidade do conteúdo em tempo real com base em sinais de EEG para preservar o engajamento — indicando caminhos para mitigar efeitos indesejados do apoio automatizado.

Impactos para educação, trabalho e saúde cognitiva

- Educação: elaboração de políticas de uso responsável de IA, priorizando rascunhos humanos e auxílio automatizado apenas para revisão, checagem e melhoria de clareza.
- Produtividade no trabalho: risco de atrofia de habilidades (síntese, memória de trabalho e tolerância à complexidade) quando a delegação à IA se torna o padrão.
- Saúde cognitiva: atenção e planejamento podem ser afetados com dependência excessiva, o que reforça a importância de alternar etapas humanas e automatizadas.
- Indústria de edtech: oportunidade para ferramentas que incorporem feedback cognitivo e promovam esforço mental adequado em vez de substituição integral de processos.

Próximos passos

Os autores indicam a necessidade de estudos longitudinais e tarefas diversificadas para aferir efeitos duradouros. Para usuários e instituições, boas práticas emergem como consenso: intercalar criação humana e suporte de IA; inserir intervalos de reflexão antes de consultar a ferramenta; e empregar a tecnologia como apoio crítico — não como substituta integral do processo de pensar e escrever.

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