Como a Inteligência Artificial promete transformar moagem da cana e ampliar receita nas usinas

Usina São Manoel (SP) usa sistema MM.IA, que integra sensores NIR e IA na moenda, elevando a recuperação de açúcar em 0,25% e adicionando até R$ 3 milhões em receita. Com testes iniciados em 2020 e operação em tempo real desde 2022, a solução da ITC aponta ganhos adicionais de eficiência, economia de água e avanço de EBITDA, enquanto o Centro-Sul segue encerrando a safra 2025/26.

Como a Inteligência Artificial promete transformar moagem da cana e ampliar receita nas usinas

IA leva moenda de cana ao tempo real e abre nova frente de receita nas usinas

Um sistema que combina sensores de infravermelho próximo e inteligência artificial (IA) na linha de moendas elevou em 0,25% o índice de recuperação de açúcar na Usina São Manoel (SP), resultando em faturamento extra estimado entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões na última safra. A tecnologia, batizada de MM.IA, coloca decisões operacionais no tempo real e aponta ganhos relevantes de eficiência para o setor sucroenergético.

Contexto: onde, quando e quem está por trás

Desenvolvido pela consultoria ITC, de Piracicaba (SP), o MM.IA monitora continuamente a matéria-prima e o caldo nas moendas. A São Manoel iniciou testes em 2020, escalou o uso em 2021 e, desde 2022, opera com regulagem automática em tempo real. O investimento local soma cerca de R$ 3,5 milhões ao longo de cinco anos, enquanto o desenvolvimento da plataforma demandou cerca de R$ 11 milhões.

Dados e evolução da adoção

• Dois sensores NIR instalados antes e depois da moenda analisam, a cada segundo, dezenas de parâmetros da cana e do melaço, alimentando modelos de IA que ajustam pressão, velocidade e outros controles para maximizar o ATR extraído.

• A usina processou aproximadamente 3,8 milhões de toneladas de cana na safra 2024/25 e produziu cerca de 160 milhões de litros de etanol e 260 mil toneladas de açúcar.

• Em escala setorial, a moagem acumulada no Centro-Sul alcançou cerca de 592,27 milhões de toneladas até 1º de dezembro de 2025, com 144 unidades em operação na segunda metade de novembro e ritmo acelerado de encerramento da safra.

• Simulações e projetos em andamento indicam potencial de ganho superior a R$ 3,07 por tonelada de cana, economia de cerca de 2 milhões de m³ de água por safra e aumento do EBITDA na ordem de R$ 9 milhões/ano em usinas de porte equivalente, além de incrementos de até 0,5% na extração e 0,5% na fermentação, conforme a realidade de cada planta.

Impactos para pessoas, setor e regiões

Para os times operacionais, a IA substitui decisões baseadas apenas em análises laboratoriais periódicas por ajustes contínuos, reduzindo variabilidade e perdas na moenda — etapa que concentra a maior parcela das perdas industriais. Para o setor, os ganhos vêm sem expansão de área cultivada, com uso mais eficiente de água e energia, reforçando competitividade em um ambiente de preços voláteis e margens pressionadas.

Próximos passos e desdobramentos

A São Manoel planeja expandir o MM.IA para as etapas de fermentação e fabricação de açúcar, com investimento adicional estimado em cerca de R$ 2 milhões ao longo de cinco anos e projeção de retorno anual extra de aproximadamente R$ 1 milhão nessas fases. Na entressafra, outras usinas devem avançar em pilotos, com foco em calibração específica de sensores e modelos para cada planta, visando chegar à próxima safra com controle mais fino da extração e da eficiência industrial.

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