Sucesso da DeepSeek alavanca ascensão de empresas de inteligência artificial na China
Modelos eficientes da DeepSeek catalisaram adoção corporativa, valorização e uma onda de IPOs de IA na China no início de 2026, com Zhipu AI e MiniMax levantando bilhões em Hong Kong e fortalecendo a corrida por nuvem, chips e regulação.
Sucesso da DeepSeek dá tração inédita ao ecossistema de IA na China
O avanço técnico e a popularização dos modelos da DeepSeek catalisaram uma nova onda de valorização, captação de recursos e adoção corporativa de inteligência artificial (IA) na China, com reflexos diretos em listagens na bolsa de Hong Kong, investimentos em nuvem e corrida por chips em 2025 e início de 2026.
Contexto: o que mudou e quem está no centro
A partir de janeiro de 2025, a DeepSeek ganhou projeção com um modelo de raciocínio de baixo custo de treinamento (estimado em menos de US$ 6 milhões) e desempenho competitivo em tarefas de código e matemática. Em maio de 2025, uma versão aprimorada foi disponibilizada, consolidando a empresa como referência local de eficiência em IA e acelerando testes e integrações por companhias chinesas em setores como manufatura, finanças e telecom.
Dados e evolução: captações, mercado e infraestrutura
O entusiasmo do mercado se traduziu em uma janela de IPOs no início de 2026. Em 8 de janeiro de 2026, a Zhipu AI estreou em Hong Kong após levantar cerca de HK$ 4,35 bilhões, encerrando o primeiro dia com alta próxima de 13%. No dia seguinte, 9 de janeiro, a MiniMax captou aproximadamente HK$ 4,8 bilhões e fechou com ganho de 109%, alcançando avaliação superior a HK$ 100 bilhões. As ofertas confirmaram a expectativa de que mais players locais de IA usarão o mercado para financiar pesquisa, produtos e expansão internacional.
No pano de fundo, a infraestrutura também se move. Fornecedores de nuvem impulsionam ofertas corporativas baseadas em IA e ampliam investimentos em hardware; ao mesmo tempo, fabricantes domésticos de GPUs avançam com planos de listagem e captação para reduzir dependências externas. Em paralelo, desde 2023 o país mantém um registro regulatório de modelos generativos, que mapeia milhares de aplicações e orienta exigências de segurança, criando visibilidade rara do ecossistema.
Em termos de valuation, a forte reprecificação de tecnologia em 2025 levou as praças chinesas a negociarem, no início de 2026, com prêmios relevantes sobre índices de referência globais — um ambiente propício a novas ofertas e rodadas de capital voltadas à IA.
Impactos: empresas, setores e investidores
Para as empresas, os modelos mais baratos e eficientes pressionam preços, aceleram provas de conceito e permitem executivos testarem IA com dados sensíveis em ambientes locais. Setores regulados, como financeiro e saúde, avançam em projetos de automação e apoio à decisão. Para investidores, o caso DeepSeek elevou a convicção de que a competição tecnológica se dá também por eficiência de inferência e velocidade de entrega — não apenas por gasto bruto em computação. No hardware, a busca por alternativas domésticas e otimizações para chips disponíveis torna-se prioridade estratégica.
Próximos passos
Os desdobramentos mais prováveis para 2026 incluem: novas listas e captações de empresas de IA e semicondutores; mais integrações corporativas de modelos de raciocínio em áreas críticas; ajustes regulatórios sobre dados e segurança; e uma disputa global por eficiência, qualidade e custo de modelos. A trajetória iniciada pela DeepSeek segue como termômetro para a profundidade e a velocidade da ascensão chinesa em IA.
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