Empresas de tecnologia ampliam uso de IA, mas falham em transparência sobre ética

Empresas ampliam o uso de IA, mas mantêm baixa transparência sobre ética e governança. Em 2026, regras europeias passam a exigir rotulagem de conteúdo gerado por IA e mais documentação para sistemas de alto risco, enquanto guias técnicos atualizados ajudam organizações a estruturar conformidade e prestação de contas.

Empresas de tecnologia ampliam uso de IA, mas falham em transparência sobre ética

Empresas aceleram IA, mas ficam devendo transparência sobre ética e governança

Em 16 de janeiro de 2026, o avanço da inteligência artificial dentro das empresas é inequívoco, porém não tem sido acompanhado pelo mesmo nível de transparência sobre princípios éticos, riscos e governança. Indicadores recentes mostram queda na abertura de informações por parte dos desenvolvedores de modelos, enquanto 2026 marca a entrada em vigor de regras que exigirão mais clareza sobre uso e impactos da tecnologia.

Contexto: onde, quando e quem está envolvido

No plano global, grandes e médias companhias ampliaram o uso de IA nos últimos anos para tarefas de produtividade, atendimento e automação. Ao mesmo tempo, órgãos oficiais na Europa e nos Estados Unidos consolidaram referenciais de boas práticas e cronogramas regulatórios para elevar a responsabilidade no desenvolvimento e na adoção de IA — especialmente em aplicações de maior risco ou com uso de modelos de propósito geral.

Dados e evolução: o que os números e regras mostram

Medições publicadas em dezembro de 2025 apontam que a transparência dos principais desenvolvedores de modelos caiu na comparação anual, com média de 40 em 100 pontos — sinal de que informações essenciais sobre dados de treinamento, mitigação de riscos, segurança e impactos ainda são divulgadas de forma incompleta.

Na frente regulatória, o marco europeu de IA entrou em vigor em 1º de agosto de 2024, com aplicação faseada: proibições a práticas de “risco inaceitável” passaram a valer em 2 de fevereiro de 2025; obrigações para modelos de propósito geral começaram em 2 de agosto de 2025; e, a partir de 2 de agosto de 2026, entram as regras de transparência (incluindo identificação de conteúdo gerado por IA e avisos em interações homem-máquina) e a maior parte das exigências para sistemas de alto risco, com etapas adicionais até 2027.

No eixo de boas práticas, o instituto oficial de padrões dos EUA publicou, em 26 de julho de 2024, um perfil específico para IA generativa como complemento ao seu framework de gestão de riscos lançado em 2023. Em dezembro de 2025, divulgou ainda rascunho de diretrizes para segurança cibernética na era da IA, com consulta pública até o fim de janeiro de 2026 — ambos instrumentos usados por empresas para estruturar governança, avaliação de riscos e prestação de contas.

Impactos para empresas, setores e usuários

Para organizações que já utilizam IA, o descompasso entre adoção e transparência amplia riscos legais, reputacionais e operacionais. Na União Europeia, as penalidades por descumprimento podem chegar a €35 milhões ou a 7% do faturamento global, o que pressiona cadeias globais de fornecedores a adotar padrões de documentação, rotulagem de conteúdo sintético e monitoramento pós-mercado. Setores com IA aplicada a crédito, saúde, recursos humanos, segurança e infraestrutura crítica tendem a sentir primeiro os efeitos das novas exigências.

Para consumidores e cidadãos, as regras e guias publicados elevam expectativas de clareza: identificação de quando se interage com uma máquina, explicações sobre como modelos foram treinados e testados, e canais para reporte de incidentes. Para investidores e conselhos, cresce a demanda por métricas que liguem conformidade, redução de risco e geração de valor.

Próximos passos

Até o segundo semestre de 2026, empresas que desenvolvem ou implementam IA precisarão acelerar: mapear casos de uso e classificar riscos; criar registros de modelos e avaliações de impacto; definir papéis de supervisão humana; rotular conteúdo gerado por IA; e preparar auditorias e testes adversariais. Alinhar-se às referências técnicas já publicadas e ao cronograma europeu — mesmo fora da UE — tende a reduzir incertezas e fortalecer a confiança de clientes, reguladores e parceiros.

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