IA se torna eixo de poder nas disputas globais e acelera corrida por regras, chips e energia

IA ocupa o centro da geopolítica com novas regras, disputas por chips e corrida por energia e capacidade computacional. ONU, UE e diálogos EUA–China moldam 2024–2026, enquanto data centers e compromissos de segurança redefinem investimentos e riscos.

IA se torna eixo de poder nas disputas globais e acelera corrida por regras, chips e energia

A ascensão da IA como força geopolítica redefine alianças e prioridades nacionais

A inteligência artificial consolidou-se como vetor de poder nas relações internacionais, impulsionando acordos, disputas por semicondutores e uma corrida por capacidade energética e computacional. O tema saiu do laboratório para o centro das agendas de segurança, economia e regulação de grandes potências.

Contexto: onde, quando e quem

Em 21 de março de 2024, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução histórica que orienta o uso seguro, confiável e alinhado a direitos humanos. Em maio de 2024, Estados Unidos e China realizaram em Genebra o primeiro diálogo intergovernamental sobre riscos e governança de IA, abrindo um canal técnico em meio à competição estratégica. No mesmo ano, cúpulas multilaterais sobre segurança de IA — de Bletchley (novembro de 2023) a Seul (maio de 2024) — produziram declarações e compromissos voluntários para avaliação de riscos e transparência.

Dados e evolução da agenda

O marco regulatório mais abrangente em implementação é o AI Act europeu: entrou em vigor em 1º de agosto de 2024, com aplicação gradual — proibições e alfabetização em IA a partir de 2 de fevereiro de 2025; regras para modelos de uso geral e governança em 2 de agosto de 2025; e a maior parte das obrigações passando a valer em 2 de agosto de 2026. Paralelamente, o debate global de governança ganhou novas instâncias em 2025, com iniciativas na ONU para um painel científico independente e um diálogo internacional sobre IA.

Na dimensão industrial e tecnológica, controles de exportação e exigências de licenças remodelaram o comércio de chips avançados desde 2022, levando fabricantes e clientes a ajustes de produto e cronogramas de entrega ao longo de 2025 e 2026. Enquanto isso, compromissos voluntários firmados em cúpulas internacionais passaram a exigir que desenvolvedores publiquem estruturas de segurança e se abstenham de lançar modelos com riscos incontroláveis.

Impactos: energia, infraestrutura e cadeias de valor

A expansão de centros de dados e do uso de aceleradores para IA pressiona redes elétricas e investimentos em geração. Projeções internacionais indicam que o consumo global de eletricidade por data centers pode dobrar até o fim da década, com a parcela ligada a cargas de IA crescendo mais rapidamente que outras aplicações. Nos Estados Unidos, estimativas recentes apontam que o consumo elétrico de data centers já responde por uma fatia relevante da demanda nacional, sinalizando necessidade de novas fontes e arranjos contratuais de longo prazo. Esse quadro acelera decisões de localização de infraestrutura, contratos de renováveis, soluções de refrigeração e, em alguns casos, reativação ou contratação de capacidade firme.

Próximos passos

Em 2026, a aplicação central do AI Act na União Europeia e novas rodadas de diálogo técnico internacional tendem a dar contornos mais claros a regras de transparência, avaliação de riscos e uso responsável. No eixo geopolítico, a combinação de normas, acesso a chips de ponta, talento e energia barata seguirá como determinante do poder relativo de países e empresas. A pauta de 2026 deverá concentrar-se em interoperabilidade regulatória, métricas de segurança, monitoramento de impactos e expansão de infraestrutura computacional de baixo carbono.

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